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Enfermagem em Cardiologia: Salário, Mercado e Curso 2026

Enfermeira ausculta com estetoscópio enquanto afere a pressão arterial de uma paciente durante consulta

Quem é o enfermeiro especialista em cardiologia?

É o enfermeiro que assume o paciente mais monitorado do hospital. Ele está na UTI coronariana ao lado do infartado, no laboratório de hemodinâmica durante o cateterismo, na emergência decidindo em minutos se aquela dor no peito é infarto, e no ambulatório segurando o paciente com insuficiência cardíaca longe da reinternação.

A Classificação Brasileira de Ocupações não tem código próprio para a enfermagem cardiológica: a carreira se distribui pela família 2235, com os dados formais concentrados no CBO 2235-05 (enfermeiro) e no CBO 2235-25 (enfermeiro de terapia intensiva), a ocupação mais próxima da UTI coronariana. O que formaliza a especialidade é o registro de título no Coren, previsto na Resolução Cofen 581/2018, que reconhece a enfermagem em cardiologia entre as especialidades da profissão. Na prática, é essa titulação que abre as portas dos setores fechados.

A regulação é o motor silencioso da demanda: a RDC 7/2010 da Anvisa exige enfermeiro assistencial para cada 10 leitos de UTI por turno, o Parecer Normativo 001/2015 do Cofen reconhece a retirada de introdutor arterial pelo enfermeiro especializado em hemodinâmica, e a Resolução Cofen 528/2016 normatiza até o enfermeiro perfusionista da cirurgia cardíaca. Cada norma dessas é uma vaga que precisa de gente qualificada.


“A presença do enfermeiro no laboratório ou serviço de hemodinâmica é uma obrigatoriedade legal.”
SBHCI, Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista

UTI coronariana

Conduz a sistematização da assistência ao paciente cardiológico crítico: infarto, pós-operatório de cirurgia cardíaca, arritmias e suporte hemodinâmico.

Hemodinâmica

Prepara, monitora e recupera o paciente em cateterismo, angioplastia e TAVI, e retira o introdutor arterial conforme o Parecer 001/2015 do Cofen.

Dor torácica e código infarto

Aciona os protocolos que salvam músculo cardíaco: eletrocardiograma em até 10 minutos, classificação de risco e corrida contra o tempo porta-balão.

Insuficiência cardíaca e reabilitação

Educa o paciente, monitora adesão a medicação e sinais de descompensação, e atua na reabilitação cardiovascular que evita a próxima internação.

Enfermagem em Cardiologia em números

Dados consolidados da Sociedade Brasileira de Cardiologia, do Cofen, do CAGED (Portal Salário, jul/2025 a jun/2026), de publicações científicas e de editais oficiais de concursos de 2025 e 2026.

400 mil: Mortes por doenças cardiovasculares no Brasil por ano, cerca de 30% de todos os óbitos do país e uma vida a cada 90 segundos, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia e o Cofen. É a principal causa de morte nacional, à frente de todos os cânceres somados.

2,5 milhões: Brasileiros convivem com insuficiência cardíaca, que somou mais de 941 mil internações no SUS entre 2019 e 2023, mata 15% dos pacientes ao ano e reinterna quase metade deles em até 12 meses, a um custo anual acima de R$ 1 bilhão para o sistema de saúde.

R$ 4.475: Salário médio mensal do enfermeiro (CBO 2235-05) pelo Portal Salário com base no CAGED, em amostra de 178.201 movimentações formais, com saldo positivo de 15.567 contratações em 12 meses e demanda classificada como muito alta.

R$ 4.821: Média do enfermeiro de terapia intensiva (CBO 2235-25), a ocupação formal mais próxima da UTI coronariana, com teto CLT de R$ 6.550,69 e índice de contratação de 1,55, entre os mais aquecidos da enfermagem (CAGED, jul/2025 a jun/2026).

884 vagas: Solicitadas pelo Instituto Nacional de Cardiologia, o hospital do coração do Ministério da Saúde, para concurso previsto em 2027, ainda sem edital. No CNU 2025, o INC já contratou enfermeiros a R$ 7.159,87, e a SES-TO abriu 5.124 vagas na saúde em 2026.

75 programas: De reabilitação cardiovascular formal existiam no Brasil inteiro em 2023, mais da metade concentrada no Sudeste, segundo os Arquivos Brasileiros de Cardiologia. Para milhões de cardiopatas, é um serviço essencial que quase não existe: um campo aberto para especialistas.

Quanto ganha um enfermeiro em cardiologia?

Dados do Portal Salário com base em microdados do CAGED (jul/2025 a jun/2026), do Glassdoor, da Lei 14.434/2022 e de editais oficiais. Como a enfermagem cardiológica não tem CBO próprio, as faixas combinam o enfermeiro geral (CBO 2235-05), o enfermeiro de terapia intensiva (CBO 2235-25) e referências verificáveis de setor especializado e concurso.

Faixas salariais · Enfermagem e cardiologia

  • Piso CLT (CAGED, enfermeiro): R$ 3.234
  • Média CAGED (enfermeiro): R$ 4.475
  • Piso nacional (Lei 14.434/2022): R$ 4.750
  • Média UTI (CBO 2235-25): R$ 4.821
  • Teto CLT UTI (CBO 2235-25): R$ 6.551
  • Edital público (INC a EBSERH): R$ 7.160 a R$ 8.095

Fonte: Portal Salário/CAGED (piso, médias e teto CLT), Lei 14.434/2022 (piso nacional da enfermagem), edital CNU 2025 do Instituto Nacional de Cardiologia e carreira de enfermeiro assistencial da EBSERH. Na hemodinâmica privada, relatos do Glassdoor apontam de R$ 6.000 a R$ 8.000, em amostra pequena.

Referências reais de remuneração em 2026

O CAGED não abre recorte gratuito por especialidade, então a tabela traz referências verificáveis por vínculo, que na prática pesam mais que a região: a diferença entre o piso da lei, a CLT geral, o setor crítico e o edital público.

Vínculo

Remuneração

SES-RJ 2026 (enfermeiro, 24h)

R$ 4.026,02

Bolsa de residência multiprofissional (CNRMS)

R$ 4.106,09

Enfermeiro CLT (média CAGED)

R$ 4.475,06

Piso nacional da enfermagem (Lei 14.434/2022)

R$ 4.750,00

Enfermeiro de terapia intensiva CLT (média CAGED)

R$ 4.820,76

SES-TO 2026 (enfermeiro, inicial)

R$ 4.917,01

Hemodinâmica privada (Glassdoor, poucos relatos)

R$ 6.000 a R$ 8.000

Instituto Nacional de Cardiologia (CNU 2025)

R$ 7.159,87

EBSERH, enfermeiro assistencial (edital)

R$ 8.095,56

O piso da enfermagem segue congelado em R$ 4.750 desde 2022, sem correção pela inflação; a PEC 19/2024, em debate no Congresso, propõe jornada de 30 horas e reajuste anual pelo INPC, e o STF retomou em maio de 2026 o julgamento definitivo sobre o financiamento do piso. A titulação de especialista é o acelerador que não depende dessa disputa.

Forças que impulsionam a enfermagem em cardiologia

Seis fatores estruturais, todos verificáveis em fonte pública, que sustentam a demanda por enfermeiros especializados em cardiologia nos próximos anos.

A hemodinâmica pública está crescendo com o TAVI

A Portaria GM/MS 3.414/2024 incorporou ao SUS o implante transcateter de válvula aórtica por via transfemoral, procedimento de ponta que antes ficava restrito à rede privada. Cada sala de hemodinâmica que abre ou amplia agenda precisa de enfermeiro: para a SBHCI, a presença dele no serviço é obrigatoriedade legal, e o Parecer 001/2015 do Cofen já reconhece a retirada de introdutor arterial pelo especialista.

O envelhecimento multiplica o paciente cardiológico

O Brasil tem 35,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, alta de 71% em 15 anos, e o IBGE projeta 65 milhões em 2050. A insuficiência cardíaca já responde por até 1 em cada 5 hospitalizações de maiores de 65 anos. A carga de doença cardiovascular cresce mais rápido que a formação de especialistas, e é o enfermeiro quem passa mais horas ao lado desse paciente.

Clínicas de insuficiência cardíaca precisam de enfermeiro

São 2,5 milhões de brasileiros com insuficiência cardíaca, mortalidade de 15% ao ano e quase metade dos pacientes reinternando em até 12 meses, a um custo acima de R$ 1 bilhão anual. O modelo que reverte esse ciclo no mundo inteiro é o ambulatório multiprofissional em que o enfermeiro conduz educação, adesão e monitoramento de sinais de descompensação. É das posições de maior autonomia clínica da profissão.

A telecardiologia saiu do piloto e virou rotina

Só a rede de telessaúde do Hospital das Clínicas da UFMG já laudou mais de 4 milhões de eletrocardiogramas a distância, com análise no mesmo dia, 24 horas por 7 dias. O tele-ECG virou porta de entrada do diagnóstico cardiológico na atenção primária, e o enfermeiro é quem opera a ponta: realiza o exame, reconhece o traçado crítico e aciona o fluxo de urgência.

Inteligência artificial e monitorização remota

O mercado global de inteligência artificial em cardiologia foi avaliado em US$ 2,03 bilhões em 2025 e é projetado em US$ 36,84 bilhões até 2035, crescimento de 34,2% ao ano, puxado por ECG interpretado por algoritmo, wearables e monitorização remota de dispositivos. Quem traduz o alerta do algoritmo em conduta à beira do leito é o profissional assistencial, e o enfermeiro que domina essas ferramentas se torna peça central do serviço.

Reabilitação cardiovascular: o vazio que é oportunidade

O Brasil tinha apenas 75 programas formais de reabilitação cardiovascular em 2023, mais da metade no Sudeste, segundo os Arquivos Brasileiros de Cardiologia, para uma população de milhões de infartados, revascularizados e portadores de insuficiência cardíaca. A telerreabilitação foi apontada pela própria literatura como o caminho de expansão. Um serviço essencial que quase não existe é exatamente onde o especialista chega primeiro.

Os três caminhos de quem se especializa

A mesma titulação abre portas diferentes. Estes são os três movimentos mais comuns de quem conclui a pós em Cardiologia para Enfermeiros.

Concurso público: A SES-TO abriu 5.124 vagas na saúde com inscrições até 10 de setembro de 2026 (enfermeiro a R$ 4.917,01, banca FGV), a SES-RJ recebe inscrições até 15 de setembro, o Instituto Nacional de Cardiologia pediu 884 vagas para 2027 e a EBSERH já definiu banca para o próximo seletivo. Na prova de títulos, a especialização costuma valer de 1 a 5 pontos.

Setor fechado: UTI coronariana, hemodinâmica, dor torácica e cirurgia cardíaca priorizam ou exigem especialista: a RDC 7/2010 impõe coordenador de enfermagem especialista em terapia intensiva, e a hemodinâmica privada paga de R$ 6.000 a R$ 8.000 pelos relatos do Glassdoor. É o caminho de quem quer sair do plantão genérico para o setor de maior complexidade.

Atuação ambulatorial: Clínicas de insuficiência cardíaca, programas de reabilitação cardiovascular (só 75 formais no país), home care de paciente cardiopata, telecardiologia e consultoria em protocolos de dor torácica. Com 2,5 milhões de pacientes com insuficiência cardíaca e um sistema sobrecarregado, o cuidado longitudinal virou mercado próprio para o enfermeiro especialista.

Atribuições do enfermeiro em cardiologia

Atividades da prática assistencial cardiológica, alinhadas à família ocupacional CBO 2235, à Lei 7.498/1986, à RDC 7/2010 e aos pareceres e resoluções do Cofen para os setores de cardiologia.

  • Assistência ao paciente cardiológico crítico: conduz a sistematização da assistência de enfermagem na UTI coronariana, monitorando hemodinâmica, arritmias, drogas vasoativas e a resposta do paciente ao tratamento intensivo.
  • Protocolos de dor torácica e código infarto: classifica risco na chegada, garante o eletrocardiograma em até 10 minutos e aciona a linha de cuidado que encurta o tempo porta-balão, o intervalo que define quanto músculo cardíaco sobrevive.
  • Enfermagem em hemodinâmica: prepara e monitora o paciente em cateterismo, angioplastia e TAVI, gerencia sala, materiais e radioproteção, e realiza a retirada de introdutor arterial conforme o Parecer Normativo 001/2015 do Cofen.
  • Pós-operatório de cirurgia cardíaca: assiste o paciente revascularizado ou valvopata operado, manejando drenos, marca-passo provisório, controle de débito e a detecção precoce de complicações nas primeiras 48 horas.
  • Educação do paciente e cuidado longitudinal: ensina o paciente com insuficiência cardíaca e a família a reconhecer descompensação, organiza adesão a medicação e consultas e sustenta a reabilitação cardiovascular que evita reinternações.
  • Gestão e educação permanente do setor: dimensiona equipe conforme a RDC 7/2010, lidera treinamentos de parada cardiorrespiratória e protocolos institucionais e responde pela qualidade assistencial da unidade cardiológica.

Perguntas sobre enfermagem em cardiologia e o curso

As dúvidas mais comuns de quem pesquisa a carreira e a pós-graduação, respondidas com dado e base legal.

Quanto ganha um enfermeiro que atua em cardiologia?

Pelo CAGED (Portal Salário, jul/2025 a jun/2026), o enfermeiro (CBO 2235-05) tem média de R$ 4.475,06, com piso de R$ 3.234,09 e teto CLT de R$ 6.088,00. O enfermeiro de terapia intensiva (CBO 2235-25), carreira mais próxima da UTI coronariana, tem média de R$ 4.820,76 e teto de R$ 6.550,69. Na hemodinâmica, relatos do Glassdoor apontam de R$ 6.000 a R$ 8.000 mensais, em amostra pequena. Em edital público, o INC pagou R$ 7.159,87 no CNU 2025 e a EBSERH paga R$ 8.095,56 ao enfermeiro assistencial. O piso nacional da enfermagem é de R$ 4.750,00.

Existe CBO de enfermeiro cardiologista?

Não. A Classificação Brasileira de Ocupações não tem código próprio para a enfermagem cardiológica: a atuação se distribui pela família 2235, principalmente no CBO 2235-05 (enfermeiro) e no CBO 2235-25 (enfermeiro de terapia intensiva), que cobre a UTI coronariana. O que formaliza a especialidade é o registro do título de especialista no Coren, conforme a Resolução Cofen 581/2018, que lista a enfermagem em cardiologia entre as especialidades reconhecidas.

O que faz o enfermeiro em uma unidade de hemodinâmica?

Prepara e acolhe o paciente, confere jejum, acessos e exames, monitora traçado eletrocardiográfico e parâmetros hemodinâmicos durante cateterismo, angioplastia e TAVI, atua na recuperação pós-procedimento e gerencia materiais, radioproteção e equipe. O enfermeiro especializado pode inclusive retirar o introdutor arterial após intervenções percutâneas, procedimento reconhecido como seguro pelo Parecer Normativo 001/2015 do Cofen. Para a SBHCI, a presença do enfermeiro no serviço de hemodinâmica é obrigatoriedade legal.

Quanto tempo dura a pós em Cardiologia para Enfermeiros da UFEM?

O curso é 100% EAD e segue o modelo intensivo das pós-graduações da UFEM: conclusão em 4 a 6 meses, sem esperar semestre letivo, com avaliação em duas provas online (P1 e P2) e trabalho de conclusão opcional. A certificação é emitida por instituição credenciada pelo MEC e vale para registro de especialidade, prova de títulos e progressão funcional.

Essa pós vale para concurso público?

Vale em três frentes. Em prova de títulos, a especialização lato sensu costuma valer de 1 a 5 pontos, diferença que decide classificação em concursos como o da SES-TO 2026, que abriu 5.124 vagas na saúde. Em progressão funcional, redes públicas pagam adicional por titulação. E em lotação: setores fechados como UTI, hemodinâmica e unidade coronariana priorizam ou exigem especialista, como prevê a RDC 7/2010 para a coordenação de enfermagem em terapia intensiva.

O mercado para enfermagem em cardiologia está em alta?

Sim. As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil, com cerca de 400 mil óbitos por ano segundo a SBC, e 2,5 milhões de brasileiros convivem com insuficiência cardíaca. O CAGED registrou saldo positivo de 15.567 contratações de enfermeiros em 12 meses, o SUS incorporou o TAVI em 2024 ampliando a hemodinâmica pública, e o país tem apenas 75 programas formais de reabilitação cardiovascular, um campo quase vazio para especialistas.

Onde o enfermeiro especialista em cardiologia pode trabalhar?

UTI coronariana e unidades de terapia intensiva, laboratórios de hemodinâmica, unidades de dor torácica e emergências com protocolo de infarto, pós-operatório de cirurgia cardíaca, ambulatórios e clínicas de insuficiência cardíaca, programas de reabilitação cardiovascular, home care de paciente cardiopata e serviços de telecardiologia, que já laudam milhões de eletrocardiogramas a distância no Brasil.

Enfermeiro pode retirar introdutor arterial após cateterismo?

Pode, desde que seja enfermeiro com capacitação em hemodinâmica. O Parecer Normativo 001/2015 do Cofen reconheceu a retirada de introdutor arterial e venoso pelo enfermeiro especializado como procedimento seguro, amparado no Processo de Enfermagem e em protocolo institucional. É um exemplo do que a especialização destrava na prática: procedimentos de maior complexidade, mais responsabilidade e mais espaço na equipe.

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