O que faz um professor de História? Funções, rotina e onde trabalhar

O que faz um professor de História, pela definição da CBO do Ministério do Trabalho, é ministrar aulas teóricas e práticas, planejar o curso e a disciplina, preparar as aulas e avaliar o aprendizado. No ensino médio, ele aparece na CBO com o código 2321-40 e trabalha em escolas públicas, escolas particulares e ONGs.
A aula é a parte que todo mundo vê. Pelo menos um terço da jornada, por lei, acontece longe dos alunos.
O professor de História em seis números
Número | O que ele mostra |
|---|---|
2321-40 | O código da CBO para professor de história no ensino médio. No fundamental, é o 2313-25. |
5.130,63 reais | O piso nacional do magistério público em 2026, para até 40 horas semanais. |
2/3 | O teto da carga horária para atividades com os alunos, pela lei do piso. |
Art. 62 | O artigo da LDB que exige licenciatura plena para dar aula na educação básica. |
3.380 horas | A carga da Licenciatura em História na UFEM, em 24 meses, com 400 horas de estágio. |
Lei 14.038/2020 | A lei do historiador, que inclui o magistério de História entre as atribuições da profissão. |
Fonte: CBO (3ª edição), Lei 11.738/2008, LDB, Lei 14.038/2020 e página do curso na UFEM, consultadas em 01/11/2026.
O que faz um professor de História no dia a dia?
Pense numa segunda-feira comum. De manhã, a turma do 8º ano estuda o Brasil Império. À tarde, o mesmo professor revisa o plano da próxima unidade e fecha as notas da última avaliação.
Na CBO, a Classificação Brasileira de Ocupações, o professor do ensino médio está na família 2321. Pela descrição oficial, ele:
- ministra aulas teóricas e práticas;
- acompanha a produção da área educacional e cultural;
- planeja o curso, a disciplina e o projeto pedagógico;
- avalia o processo de ensino e aprendizagem;
- prepara aulas e participa de atividades institucionais.
No fundamental, a família 2313 acrescenta duas tarefas: registrar as práticas pedagógicas e participar das atividades educacionais e comunitárias da escola.
A parte que não aparece tem amparo em lei. A Lei 11.738/2008, a lei do piso, limita a dois terços da carga horária o tempo de interação com os alunos (art. 2º, § 4º). O resto fica para estudos, planejamento e avaliação, período que a LDB manda incluir na carga de trabalho da rede pública (art. 67, V).
Leitura correta: o terço longe da turma não é folga. É o tempo de estudar, planejar e avaliar, e ele conta como trabalho.
O conteúdo também segue regra. A LDB manda que a História do Brasil considere as matrizes indígena, africana e europeia (art. 26, § 4º) e torna obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena no fundamental e no médio (art. 26-A).
E a descrição oficial não esconde o desgaste: ruído intenso, fadiga das cordas vocais e estresse do trabalho sob pressão. Eu gosto dessa franqueza.
Onde um professor de História pode trabalhar?
Escola é a resposta óbvia, mas a CBO desenha um mapa maior: instituições de ensino das redes federal, estadual e municipal, da rede privada e ONGs, com o professor como estatutário ou com carteira assinada.
Ensino fundamental, do 6º ao 9º ano
Código 2313-25. A CBO ainda fala em quinta à oitava série, nome do tempo em que o fundamental tinha oito anos. Hoje são nove (LDB, art. 32). A ocupação inclui o professor de História na educação de jovens e adultos.
Ensino médio
Código 2321-40, com alunos de várias faixas etárias e predomínio de adolescentes.
Ensino superior
Código 2347-45. Aqui a CBO pede graduação e títulos de pós-graduação ou especialização na área.
Fora da sala de aula
A Lei 14.038/2020, a lei do historiador, lista outras atribuições: organizar exposições e publicações sobre temas de História, dirigir serviços de pesquisa histórica, cuidar de documentação e elaborar pareceres e laudos (art. 4º).
Pegadinha: historiador e professor de História não são a mesma ocupação na CBO. O pesquisador em história, historiador, tem o código 2035-20, e a família dele pede curso superior completo e mestrado ou especialização.
Quais habilidades um professor de História precisa ter?
O engano mais comum é achar que basta gostar de História. Gostar ajuda, mas não planeja uma aula sozinho. Cruzando a CBO, a LDB e a grade de uma licenciatura, eu separo cinco habilidades:
- Comunicação. A CBO diz que a profissão mobiliza capacidades comunicativas: explicar, ouvir, mediar debate.
- Planejamento e avaliação. Estão na descrição oficial, e a LDB reserva tempo da jornada para isso.
- Atualização. Acompanhar a produção da área educacional e cultural é tarefa listada na CBO.
- Repertório amplo. A LDB pede as matrizes indígena, africana e europeia na História do Brasil.
- Inclusão. A grade da Licenciatura em História da UFEM reserva 40 horas para Libras e 80 para Educação Especial e Inclusiva.
E tem uma que ninguém põe no currículo: cuidar da voz. A fadiga das cordas vocais está na lista oficial.
Qual formação é exigida para ser professor de História?
A resposta cabe numa frase da LDB:
"A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura plena, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nos cinco primeiros anos do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade normal."
Lei 9.394/1996 (LDB), art. 62
Traduzindo: do 6º ano em diante, quem dá aula de História precisa de licenciatura. O bacharelado, sozinho, não cumpre essa exigência. Se a diferença entre os graus ainda confunde, veja o guia sobre bacharelado, licenciatura e tecnólogo.
Onde você quer chegar | O que a regra pede |
|---|---|
Sala de aula, do 6º ano ao ensino médio | Licenciatura plena (LDB, art. 62). |
Cargo efetivo na escola pública | Licenciatura e concurso de provas e títulos (LDB, art. 67, I). |
Ensino superior | Graduação e pós-graduação ou especialização (CBO, família 2347). |
Pesquisa e documentação histórica | Diploma em História e registro prévio na autoridade trabalhista (Lei 14.038/2020, arts. 3º e 7º). |
Atenção: a Lei 14.038/2020 põe o magistério de História entre as atribuições do historiador, desde que cumprida a exigência de licenciatura da LDB (art. 4º, I).
Já é licenciado em outra disciplina? Aí o caminho pode ser a segunda licenciatura, com regras próprias de carga horária.
Quer ver como isso vira disciplina? Conheça a grade da Licenciatura em História da UFEM.
Quanto ganha um professor de História?
Não existe um salário de professor de História. Existe um piso nacional para a rede pública e, acima dele, o plano de carreira de cada estado e município.
Em 2026, o piso do magistério público da educação básica é de 5.130,63 reais por mês, o primeiro acima de 5 mil reais. Em 2025, era 4.867,77 reais. A correção foi de 5,4%: o valor saiu na Portaria MEC 82/2026 e hoje está no art. 2º da Lei 11.738/2008, na redação da Lei 15.437/2026. Na prática:
- para até 40 horas semanais, nenhuma rede pública pode fixar o vencimento inicial abaixo desse valor (art. 2º, § 1º);
- em jornadas menores, o mínimo é proporcional (art. 2º, § 3º);
- o MEC atualiza o valor todo ano, até o último dia útil de janeiro (art. 5º).
Pegadinha: o piso é fixado para a formação de nível médio, na modalidade normal. Como a LDB manda considerar a titulação na progressão da carreira (art. 67, IV), o plano de cada rede pode pagar mais a quem tem licenciatura. Quanto a mais, só o plano diz.
Na rede privada, a lei do piso não se aplica, porque trata do magistério público. Ali, a referência é a convenção coletiva do sindicato de professores da região. No concurso, o salário vem escrito no edital.
Como se formar em Licenciatura em História na UFEM?
Eu sempre começo pela grade, porque ela mostra o que o curso vai cobrar de você.
Na UFEM, a Licenciatura em História tem 3.380 horas e conclusão em 24 meses, segundo a página do curso, atualizada em 09/10/2026. São 46 disciplinas em oito semestres, com 400 horas de estágio supervisionado do 5º ao 8º semestre e o trabalho de conclusão no último. Entre elas, História da África, Relações Étnico-raciais e Afrodescendência, Libras e Didática Geral. O diploma é emitido pela Unimais, instituição de código 4995 no e-MEC.
O caminho segue esta ordem:
- Tenha o ensino médio concluído, como a LDB exige para qualquer graduação (art. 44, II).
- Confirme com a equipe da UFEM o formato da sua turma e onde ficam as atividades presenciais.
- Consulte o curso no e-MEC antes de fechar a matrícula, com o guia como consultar se um curso é reconhecido pelo MEC.
- Planeje o estágio, que começa no 5º semestre.
O formato pede esse cuidado porque mudou. Desde o Decreto 12.456/2025, licenciatura não pode ser ofertada no formato a distância (art. 9º, II). No e-MEC, a Licenciatura em História EAD da instituição 4995, curso 1454134, foi reconhecida pela Portaria 435/2025 e hoje está em extinção. O curso em atividade é o semipresencial 1704632, autorizado pela Portaria 611/2025 e em funcionamento desde 01/12/2025.
Atenção: curso em extinção não recebe novos ingressantes (Portaria MEC 381/2025, art. 8º, § 2º), e o semipresencial cumpre pelo menos 30% da carga horária em atividades presenciais (Decreto 12.456/2025, art. 11, I).
Seis afirmações erradas que parecem certas
Cada uma troca um único detalhe do que você leu até aqui.
Errado | Correto |
|---|---|
"Para dar aula de História no ensino médio, basta o bacharelado." | A LDB exige licenciatura plena para atuar na educação básica (art. 62). |
"O piso de 5.130,63 reais vale para qualquer jornada." | Vale para até 40 horas semanais. Em jornadas menores, o mínimo é proporcional (Lei 11.738/2008, art. 2º, § 3º). |
"O professor passa a jornada inteira com os alunos." | A lei do piso limita a dois terços da carga horária as atividades com os alunos (art. 2º, § 4º). |
"O piso nacional também vale para a escola particular." | A Lei 11.738/2008 trata do magistério público. Na rede privada, vale a convenção coletiva. |
"Licenciatura em História ainda pode ser feita no formato a distância." | O Decreto 12.456/2025 vedou licenciatura a distância (art. 9º, II). A oferta é presencial ou semipresencial. |
"Historiador e professor de História têm o mesmo código na CBO." | O professor está nas famílias 2313 e 2321. O pesquisador em história, historiador, tem o código 2035-20. |
Perguntas frequentes
Precisa de curso superior para ser professor de História?
Precisa. A LDB exige licenciatura plena para dar aula na educação básica e só aceita o nível médio, na modalidade normal, na educação infantil e nos cinco primeiros anos do fundamental (art. 62). A CBO confirma: a ocupação pede formação superior específica e, na rede pública, concurso.
Professor de História pode trabalhar por conta própria?
Na escola, a CBO descreve o professor como estatutário ou empregado com carteira. Por conta própria, o caminho mais claro é o do historiador: a CBO registra pesquisadores em história atuando como autônomos, e a Lei 14.038/2020 inclui pareceres, relatórios e laudos entre as atribuições, com registro prévio na autoridade trabalhista.
Qual a diferença entre professor de História e áreas próximas?
Na CBO, o professor de História está nas famílias 2313, do fundamental, e 2321, do médio, ao lado do professor de Geografia. O pesquisador em história, historiador, tem o código 2035-20, e o professor do ensino superior, o 2347-45. A escola pede licenciatura; o ensino superior e a pesquisa pedem também pós-graduação.
Licenciatura em História EAD prepara para o mercado?
O diploma não informa o formato do curso: o art. 100 do Decreto 9.235/2017, na redação do Decreto 12.456/2025, proíbe essa identificação. Desde 2025, porém, licenciatura não pode ser ofertada a distância. Quem entra agora estuda no formato presencial ou semipresencial, e quem já estava matriculado num curso EAD antes da extinção conclui nele. O preparo para a sala vem do estágio, que na UFEM soma 400 horas.
Quanto ganha um professor de História em 2026?
Na rede pública, o vencimento inicial não pode ficar abaixo do piso nacional, de 5.130,63 reais por mês para até 40 horas semanais, com valor proporcional em jornadas menores (Lei 11.738/2008). O plano de carreira de cada rede pode pagar mais. Na rede privada, vale a convenção coletiva da região.
Gostar de História abre a conversa. A licenciatura abre a porta da sala.
Próximo passo: veja a grade da Licenciatura em História da UFEM. Quer tirar dúvidas sobre formato e turma? Chame a UFEM no WhatsApp (45) 3197-8216.
Fontes consultadas
- Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), Ministério do Trabalho e Emprego, 3ª edição, famílias 2313, 2321, 2347 e 2035, consultada em 01/11/2026.
- Lei 9.394/1996 (LDB), edição do Senado Federal atualizada até janeiro de 2026, arts. 26, 26-A, 32, 44, 62 e 67, consultada em 01/11/2026.
- Lei 11.738/2008, com a redação da Lei 15.437/2026, texto atualizado no portal do Senado, arts. 2º e 5º, consultada em 01/11/2026.
- Sumário da Medida Provisória 1.334/2026, do Senado Federal, consultado em 01/11/2026.
- Comunicado 566366 da Central Sipec, sobre a Portaria MEC 82/2026, consultado em 01/11/2026.
- Lei 14.038/2020, que regulamenta a profissão de historiador, arts. 3º, 4º e 7º, consultada em 01/11/2026.
- Decreto 12.456/2025, arts. 9º, 11 e 40, consultado em 01/11/2026.
- Portaria MEC 381/2025, art. 8º, consultada em 01/11/2026.
- e-MEC, cursos 1454134 e 1704632 da instituição de código 4995, consultado em 01/11/2026.
- Página da Licenciatura em História na UFEM, atualizada em 09/10/2026, consultada em 01/11/2026.
Quem escreve |
|---|
Tiago Zanolla, fundador da UFEM Educacional. |
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